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Ultimamente, tenho descoberto que há cada vez mais professores universitários a valorizarem as grandes obras, de grandes autores, que eles escreveram para crianças. No primeiro semestre, fiz um trabalho sobre As Crónicas de Nárnia. Mal o 2º semestre começou, logo na primeira aula de Cultura Visual, a professora mandou-nos (re)ler O Principezinho como trabalho de casa para o Carnaval (e reflectir acerca da relação da história com a matéria que vamos estudar).

Esta evolução nas leituras seleccionadas no meio académico deixa-me bastante feliz. Há novos horizontes a serem explorados, novos pontos de vista. Ao contrário do que o Principezinho pensava no seu tempo, talvez os adultos estejam realmente a combater a sua seriedade. Talvez Saint-Exupéry se orgulhasse por o seu conto, supostamente escrito para alcançar um público juvenil, estar a ser recomendado por professores da faculdade. Talvez C. S. Lewis também se orgulhasse por tantas gerações, de todas as idades, continuarem a pegar nas suas Crónicas, tantas décadas depois.

O que une Lewis e Saint-Exupéry? Terem escrito livros "para adultos", mas esses mesmos adultos continuarem a preferi-los pelos seus livros "para crianças" (não desfazendo nos primeiros, é claro). E não é que se justifiquem tais rótulos, mas utilizamo-los pela mera necessidade de classificação para efeitos práticos.

Estudar livros "para crianças" na faculdade só mostra que é possível retirar conclusões importantes dessas leituras. Que os autores, por vezes, levam as crianças mais a sério do que os leitores adultos. Que escrevem com mais qualidade e cuidado para elas. Que é nelas que confiam para mudar o mundo. Que os adultos aprenderão com esses livros e recuperando a perspectiva das crianças.

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Venho aqui muito rapidinho actualizar a minha lista de últimas leituras. Ainda tenho mais algumas para acrescentar à lista, mas esta já cá fica. Talvez não seja o tipo de livro que normalmente agrade à maioria das pessoas, eu sei, e aconselho-o maioritariamente aos estudantes de Letras, quer estudem francês ou não. Quanto a mim, utilizei-o para desenferrujar o vocabulário e as estruturas textuais antes do meu exame para conseguir o Diplôme Approfondi de Langue Française (DALF C1), com que finalmente acabei o curso na Alliance Française, onde fui bolseira até então.

 

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 Crítica no Goodreads a Catalogue des idées reçues sur la langue:

Apesar de já ter estudado linguística na faculdade, antes de ler este livro, sinto que já o deveria ter feito anteriormente. Aconselho-o, desde já, a quem quiser compreender a ciência da linguística, sobre o que trata, que questões levantadas por ela (algumas) também são do interesse comum (dos leigos) e, talvez sobretudo, a quem estiver disposto a perceber que não se trata de uma disciplina aborrecida.
Neste "catálogo", encontrei muitas respostas a certas dúvidas que tenho recolhido nos últimos anos acerca das línguas. Em especial a sua evolução é explicada brilhantemente por Maria Yaguello, tanto através da teoria, quanto através de exemplos práticos. No que toca a estes últimos, faz sentido que os leitores falem Inglês e Francês, caso contrário não os entenderão.
O facto de ser um livro pequeno (cerca de 140 páginas) e de incluir anexos úteis e complementares ao texto principal contribui para que qualquer um retire proveito da sua leitura. Só achei algumas partes mais enfadonhas pois é necessário ter-se o mínimo de atenção durante a leitura, de modo a acompanhar o raciocínio (relativamente explícito) da autora. Se nos distrairmos, aí sim, teremos de voltar atrás, o que me aconteceu com frequência, tendo tido de repetir a leitura.

 

Boas leituras!

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Últimas leituras - "Bilhete de Identidade"

por BeatrizCM, em 08.02.15

Bilhete de Identidade - memórias de 1943 a 1976, de Maria Filomena Mónica. Mais um livro recomendado pelo professor no curso do Cenjor que já mencionei - neste caso, dentro da categoria "autobiografia".

O que mais me interessou na descrição que me fizeram foi o facto de ser a história dos primeiros 33 anos de vida duma mulher - Maria Filomena Mónica, actualmente investigadora-coordenadora do Instituto de Ciências Sociais - e, igualmente,  da maneira como todas as mulheres eram encaradas no tempo da ditadura, até 1975. Bem dito, bem feito. Abriu-me ainda mais para essa realidade muito anterior ao meu nascimento e de que, regra geral, só ouvira falar nas aulas de História ou graças aos relatos da minha avó. Curiosamente, ela e Maria Filomena Mónica só têm uma diferença de dois anos de idade, o que contribuiu em grande parte para que eu me interessasse tanto pelos relatos de epsiódios na Lisboa e na sociedade de antigamente que a autora partilha connosco.

Além disso, foi impossível não me impressionar com a sua garra e identificar-me com as suas tolices de jovem mulher.

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No entanto, passemos aos aspectos mais literários da "coisa", com a crítica que deixei no Goodreads ao livro Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Mónica.

Penso que esta terá sido a segunda autobiografia que alguma vez li e decidi fazê lo por a autora ter vivido numa fase de transição política e cultural em Portugal. Assim, graças aos relatos das suas experiências pessoais, é permitido aos leitores recuarem algumas décadas no tempo e perceberem, com toda a exatidão que uma visão individual permite, como se organizava a sociedade portuguesa antes do 25 de Abril de 1974 e até um pouco depois. Para quem, como eu, nasceu muito depois dessa data, este conjunto de memórias de Maria Filomena Mónica vem trazer alguma cor e textura àquilo que nos tentam ensinar ns aulas de História.
Outro aspecto que me faz adorar este livro é a própria personalidade da sua autora. Maria Filomena Mónica lutou toda a sua vida contra o estereótipo imposto acerca da mulher, insurgindo-se contra os tabús, as convenções (mulher enquanto mão e dona de casa) e o poder masculino numa sociedade patriarcal. Admiro a sua sede de experiências e de conhecimento, a sua persistência e coragem. Nalguns aspectos, faz-me lembrar a minha avó, na tentativa permanente de se emancipar do controlo alheio e de ser dona de si mesma, em particular.
O relato destes 30 anos de memórias pode parecer frio, distante e até arrogante. No entanto, é a ausência de floreados que deve ser louvada. A vida e como é e Maria Filomena Mónica conta a sua sem papas na língua. Fiquei com vontade de conhecer o resto da sua história, do seu "Bilhete de Identidade".

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Últimas leituras - "In Cold Blood"

por BeatrizCM, em 06.02.15

Adorei In Cold Blood. Foi o professor do curso que fiz recentemente no Cenjor, acerca de Textos de Não Ficção, que mo recomendou, por ser considerado o livro que fundou o jornalismo narrativo. E porque Truman Capote (que, vim a descobrir, também é o autor de Breakfast at Tiffany's) era um génio da escrita. Seja como for, depois da provocação que o professor me fez, por ainda não conhecer tal obra, não resisti. Comecei a lê-la nesse mesmo dia, depois de a ter requisitado na biblioteca da faculdade. Coincidiu até com o meu objectivo anual de diversificar os meus hábitos de leitura, experimentando mais géneros literários que, caso não fizesse um esforço inicial, não consideraria ler - neste caso, In Cold Blood constitui um relato de um crime hediondo de uma família inteira.

 

Uma vez que o exemplar que requisitei já nem tinha capa exterior com título, acabei por não lhe tirar uma fotografia, como já é costume. Seja como for, isso é o menos importante, e segue-se a crítica que costumo deixar no Goodreads. Atribui 5 estrelas a esta leitura.

Em primeiro lugar, este foi um dos melhores livros que já li, tendo em conta a qualidade narrativa, a pertinência da abordagem do autor ao tema e também à exploração detalhada de cada personagem, factores decisivos para a riqueza deste relato ao caso de um dos homicídios colectivos mais falados nas décadas de 1950 e 1960.
Ainda que um pouco influenciada pela opinião alheia, de professores e colegas, uma vez que In Cold Blood é considerado o primeiro grande livro de não-ficção/jornalismo literário, penso que, no fina, acabei por descobrir sozinha tudo o que faz dele uma narrativa detalhada e profunda, até tendo em conta as extensas descrições, depoimentos e momentos de introspecção recriados.
Capote revela grande mestria em equilibrar o estilo jornalístico, factual, com o recurso a técnicas da escrita de ficção - analepse, prolepse, diálogos. Há, de facto, uma utilização exemplar dos mesmos.
Apesar de o género policial na literatura não ser o meu favorito, dei por mim a devorar páginas atrás de páginas para descobrir o que se passara ao certo com os Clutter ou Dick e Perry. Neste aspecto, principalmente para quem não investigou o caso ou procurou informação sobre ele anteriormente, as técnicas de escrita de ficção de Capote quase nos levam a imaginar o enredo como se ele não tivesse acontecido na realidade (no bom sentido, uma boa conquista, digo eu).
Em último lugar, mas não menos importante, o elemento de coesão, organização e estrutura da narrativa é igualmente um dos aspectos mais fortes a realçar. Com tanta informação disponível para ser tratada, poderia haver um risco de desleixo; felizmente, não foi o caso.
Óptima reflexão entre o Bem e o Mal!

 

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Qual a melhor Fnac de Lisboa?

por BeatrizCM, em 04.02.15

Nada conforta mais os amantes de livros do que uma livraria arrumada, organizada e acolhedora, à mão de semear. Quanto a mim, acho a maioria das livrarias Bertrand demasiado exposta, ou pequena, ou incompleta. Por isso, além da livraria do El Corte Inglés (cujo comentário deixo para outra ocasião), restam-me as diversas lojas Fnac no centro de Lisboa. E é sobre elas que pretendo escrever agora.

Se me perguntarem qual é, para mim, a melhor Fnac de Lisboa, pelo menos no centro, digo que é a Fnac do Colombo. Pode não ser a maior (cheira-me que as do C. C. Vasco da Gama ou dos Armazéns do Chiado é que são), mas é aquela onde o espaço se encontra melhor aproveitado. Não há falta de corredores para circular à vontade, sem tropeçar em nada, a loja é ampla e as secções estão bem organizadas, com lógica e aprumo, sem grandes desperdícios, contudo mantendo-as actualizadas e com uma selecção sensata de produtos, sejam eles de música (comprova o Ricardo) ou de livros (digo eu). No que toca a produtos informáticos e de tecnologia, apesar de muitos serem mais caros do que nas lojas Worten ou Box do Jumbo, é costume encontrar-se marcas diferentes, existindo maior variedade. Não há mais, também não há a menos. Ah, e já agora, deve ser a única loja Fnac onde costumam ter, sempre que lá vou, o Jornal de Letras.

Também considero a Fnac do Colombo como a melhor Fnac de Lisboa porque é a que tem sempre melhores promoções. Principalmente durante os meses de Janeiro, encontra-se bastantes boas oportunidades de 1€ a 10€, depois de reduções significativas do preço original.

Quanto ao atendimento, a Fnac do Colombo tem, provavelmente, os empregados mais simpáticos e despachados a atender. Até há bastante gente nova por lá, o que é capaz de também tornar o atendimento mais agradável, sem se tornar enfadonho. Em suma, talvez a falta de experiências anteriores mantenha esses jovens menos desmotivados e aborrecidos com o seu trabalho. Esperemos que continuem a ser uns bacanos pela vida fora!

E quanto a vocês, qual é a vossa loja Fnac preferida?

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