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Últimas leituras - O Filósofo e o Lobo

por BeatrizCM, em 01.05.16

Eis um dos novos livros da coleccção de bolso da Leya, que custa uma ninharia e entretém e ensina imenso: O Filósofo e o Lobo, do professor Mark Rowlands!

 

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Concordo com o que dizem muitas das críticas a este livro: não é um livro de filosofia convencional. Na maior parte do tempo, nem sequer temos muita dificuldade em seguir a narrativa ou a argumentação - é uma leitura razoavelmente leve. Consiste principalmente num relato de alguns episódios que Mark Rowlands viveu com o seu lobo Brenin, intercalado com algumas reflexões de ordem social, biológica e (obviamente) filosófica. A questão central é: como definir humano, como distinguir o Homem em relação às restantes criaturas terrestres? E como podemos comparar o Homem ao Lobo?

Em suma, não se deve esperar d'O Filósofo e o Lobo uma narrativa autobiográfica detalhada, mas também não se deve esperar uma leitura académica exaustiva e muito teórica. Aliás, há uma conjugação bastante equilibrada entre autobiografia e filosofia.
Atribuí 4 estrelas e não 5, apenas porque se notava alguma repetição de ideias que, ao fim de dezenas e dezenas de páginas, se torna irritante. Fiquei com a ideia de que não tinha havido cuidado na revisão da coesão entre capítulos.

A edição de bolso da Leya também precisa de uma revisão urgente na pontuação do texto.

 

Este foi também o primeiro livro oficial da coleccção comum de livros que me pertence tanto a mim quanto ao meu namorado, Ricardo. Somos os dois grandes fãs de livros e da leitura em geral, por isso pensámos que faria todo o sentido começar, não a juntar um enxoval para a vida, mas sim uma biblioteca da nossa futura família (se tudo correr bem). Dito isto, a mão, os pés e a mobília que vêem na foto desta publicação não são minhas... mas sim dele, porque eu fui a primeira a ler O Filósofo e o Lobo e passei-lho depois disso, em jeito de custódia partilhada!

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Ultimamente, tenho descoberto que há cada vez mais professores universitários a valorizarem as grandes obras, de grandes autores, que eles escreveram para crianças. No primeiro semestre, fiz um trabalho sobre As Crónicas de Nárnia. Mal o 2º semestre começou, logo na primeira aula de Cultura Visual, a professora mandou-nos (re)ler O Principezinho como trabalho de casa para o Carnaval (e reflectir acerca da relação da história com a matéria que vamos estudar).

Esta evolução nas leituras seleccionadas no meio académico deixa-me bastante feliz. Há novos horizontes a serem explorados, novos pontos de vista. Ao contrário do que o Principezinho pensava no seu tempo, talvez os adultos estejam realmente a combater a sua seriedade. Talvez Saint-Exupéry se orgulhasse por o seu conto, supostamente escrito para alcançar um público juvenil, estar a ser recomendado por professores da faculdade. Talvez C. S. Lewis também se orgulhasse por tantas gerações, de todas as idades, continuarem a pegar nas suas Crónicas, tantas décadas depois.

O que une Lewis e Saint-Exupéry? Terem escrito livros "para adultos", mas esses mesmos adultos continuarem a preferi-los pelos seus livros "para crianças" (não desfazendo nos primeiros, é claro). E não é que se justifiquem tais rótulos, mas utilizamo-los pela mera necessidade de classificação para efeitos práticos.

Estudar livros "para crianças" na faculdade só mostra que é possível retirar conclusões importantes dessas leituras. Que os autores, por vezes, levam as crianças mais a sério do que os leitores adultos. Que escrevem com mais qualidade e cuidado para elas. Que é nelas que confiam para mudar o mundo. Que os adultos aprenderão com esses livros e recuperando a perspectiva das crianças.

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"O problema não és tu, sou eu" deve ser uma das frases mais odiadas de sempre em português, provavelmente a seguir de "isto não é o que parece". Nem sei se também será utilizada noutras línguas (the problem is not you, it's me? le problème n'est pas tu, c'est moi?). Aposto que, se eu tivesse de acabar com alguém, essas seriam tal e qual as minhas palavras, a minha derradeira desculpa. Afinal, sou humana. E portuguesa.
Por isso, não é de admirar que O Problema Não És Tu, Sou Eu tenha sido o título escolhido pela Ana Garcia Martins, aka Pipoca Mais Doce, para o seu último livro lançado ontem à tarde.
Vou-vos contar a história de como o li: tinha a ideia de ir à apresentação, na Fnac dos Armazéns do Chiado, mas reservei  um par de horas antes para o poder ir ler, já que as minhas finanças pessoais andam pela rua da amargura (as always) e presentemente não me dá muito jeito andar a dar 15€ por um livro como se não fosse nada de importante. Afinal, acabei por ler todo o livro em duas horas, sentadinha no café da Fnac,  num dos bancos à janela, com luz lisboeta natural a iluminar-me a leitura. Depois de um dia cansativo, soube-me que nem ginjas!
Bem, mas passando à crítica do dito livro.


Já estou mais do que habituada à escrita descontraída da Pipoca, principalmente porque adoro as crónicas do blogue. É uma escrita que, não sendo o suprassumo da arte, faz bem à alma. Com o livro O Problema Não És Tu, Sou Eu, senti-me tal e qual assim, satisfeita e feliz. É uma leitura fácil, demora só um parzinho de horas, mas que par de horas é, muito anti-stressante. Decerto não merece um Nobel, mas não deixa de merecer o carinho dos leitores. E deixou-me com aquela sensação de que, se eu tivesse que escrever um livro, este estaria na lista dos candidatos - quem me dera ter sido eu!
Misturando um pouco de experiência pessoal com experiências alheias e uma pitada de lugares-comuns, a Ana Garcia Martins explora algumas questões do quotidiano das relações dos vinte em diante. No entanto, eu ainda não tenho vinte anos, tenho uma relação estáapvel e fofinha há dois e, por isso,  encarei os seus conselhos como óbvios, algo que já toda a gente devia saber pelo menos aos 25. No entanto, não me posso esquecer que há por aí boas pessoas que batem muito com a cabeça numa combinação de falta de sorte e de inabilidade para manter relações. Dito isto, essas pessoas deviam mesmo, mesmo, mesmo ler o livro da Pipoca/Ana e aprender umas quantas coisas, coisas que a própria Ana só tem aprendido de há uns anos para cá, já agora. Um bocadinho de educação emocional nunca fez mal a ninguém, ainda que plena de clichés e com um ou outro tema mais repetido, como neste livro.
De resto, a Ana sabe mesmo escrever, sabe onde pôr as vírgulas e só por causa disso já tem o meu respeito. A edição está fenomenal, não há gralhas na revisão, as ilustrações são engraçadas e pronto, vão ler O Problema Não És Tu, Sou Eu e ser felizes (ou aprender a sê-lo, em todo o caso)!!!

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Já li! #1

por BeatrizCM, em 10.01.14

 

Título: Será que as mulheres ainda acreditam em príncipes encantados?

Autor: Rodrigo Moita de Deus

Ano: 2001

 

   Este livro deixou-me dividida, pendendo mais para o lado mau do que para o bom, infelizmente. Quando lhe peguei pela primeira vez, pensei que íamos tornar-nos muito amigos. Apesar de eu saber que este não seria, decerto, o próximo candidato ao Nobel, nunca achei que me viesse a desiludir tanto. Enganei-me.
   As primeiras páginas e, até, os primeitos capítulos foram bastante agradáveis e fizeram-me rir agarrada à barriga. Nessa fase de enamoramento, deleitei-me com um sarcasmo um tanto ou quanto tonto, cheio de despretensão e boas vibrações da parte do autor.
   O pior aconteceu algures a meio da leitura, quando esse autor jovial e divertido se tornou num homem arrogante e presunçoso, cheio de manhas e tiques de tiozoco novo-rico dali de Cascais, 'tão a ver, q'ridos? Nem sequer cheguei a perceber qual a sua opinião acerca das mulheres - se são umas grandes cabras ou se são todas a nova reencarnação da virgem Maria (sem a parte da virgem, vá).
   Em geral, o livro é muito confuso. O autor propõe-se a falar sobre as mulheres, não só no título como também através da introdução, mas, volta e meia, põe-se a divagar sobre o ser humano e sobre as manias dos homens, e como seduzir num encontro, entre outros conselhos que não se entende a quem são dirigidos, se ao sexo masculino, se ao feminino, nem qual o contexto em que deveremos colocá-los dentro do livro. Alguns temas chegam a ser tratados mais do que uma vez, expondo as mesmíssimas ideias discutidas vinte páginas atrás, com as mesmas piadas e as mesmas palavras.
   O panorama vai piorando em direcção ao fim, não se iludam como eu. Este não é um tratado sobre psicologia feminina (afinal, po que percebe um pseudo-gestor de marketing de 23 anos, cujo apelido é "Moita de Deus" e que trata as namoradas por "você" acerca do assunto?).

   De agora em diante, livros de psicologia... só lhes pego se forem escritos por verdadeiros psicólogos!

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   Em 2013, li 50 livros e, por conseguinte, escrevi 50 críticas na rede social Goodreads. Algumas das pessoas que me conhecem doutras procrastinações começaram a adicionar-me por lá e a seguir as minhas humildes opiniões. Amigos, familiares e leitores surpreenderam-se, perante tanta dedicação que nutro pela minha actividade literária.

   Por isso, desafiei-me a expandir este hobbie, de ler e avaliar livros, para a blogosfera, não no meu blogue pessoal, mas sim num espaço inteiramente dedicado aos livros.

   Livros, livros, livros. Este não será, DE TODO, um blogue para quem não gosta de livros ou para quem nem sequer gosta de ler. Este será um blogue para os amantes das histórias e historietas, do cheiro a páginas novas, impressas há três segundos, mas também para os que não dispensam os livros em segunda, terceira ou milésima mão, editados em mil nove e troca o passo (ou até antes), porque o que conta são só os livros, não interessando a sua condição física ou espiritual.

   De qualquer maneira, se passarem por aqui sem gostarem de livros ou sem gostarem de ler, também não há problema. Talvez, com alguma (muita?) sorte, consiga motivar-vos a atreverem-se neste mundo tão próximo e que ainda vos é desconhecido, este mar sem fundo, este oásis de papel (lamechices minhas, não liguem).

   Este será (é?) um blogue de partilha, acima de tudo. Não esperem grandes eloquências. Este nem será um blogue onde escreverei todos os dias – se calhar, onde nem hei-de vir a escrever todas as semanas. Podem, isso sim, esperar críticas sobre livros, tanto más quanto boas, críticas rápidas ou críticas detalhadas, alguns apontamentos pessoais acerca de (adivinhem…) leitura e literatura, sinopses daquilo que ando a ler ou do que gostaria de ler... Enfim, acho que farei tudo de improviso e logo se vê.

   Querem que vos dê uma última pista mais clara acerca do que é este blogue?

   Imaginem um blogue sobre a maternidade, só que com livros no lugar de bebés.

 

   (Livros, livros, livros, livros, livros...)

 

 

 

Página pessoal no Goodreads: https://www.goodreads.com/user/show/12656236-beatriz-canas-mendes

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