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Ultimamente, tenho descoberto que há cada vez mais professores universitários a valorizarem as grandes obras, de grandes autores, que eles escreveram para crianças. No primeiro semestre, fiz um trabalho sobre As Crónicas de Nárnia. Mal o 2º semestre começou, logo na primeira aula de Cultura Visual, a professora mandou-nos (re)ler O Principezinho como trabalho de casa para o Carnaval (e reflectir acerca da relação da história com a matéria que vamos estudar).

Esta evolução nas leituras seleccionadas no meio académico deixa-me bastante feliz. Há novos horizontes a serem explorados, novos pontos de vista. Ao contrário do que o Principezinho pensava no seu tempo, talvez os adultos estejam realmente a combater a sua seriedade. Talvez Saint-Exupéry se orgulhasse por o seu conto, supostamente escrito para alcançar um público juvenil, estar a ser recomendado por professores da faculdade. Talvez C. S. Lewis também se orgulhasse por tantas gerações, de todas as idades, continuarem a pegar nas suas Crónicas, tantas décadas depois.

O que une Lewis e Saint-Exupéry? Terem escrito livros "para adultos", mas esses mesmos adultos continuarem a preferi-los pelos seus livros "para crianças" (não desfazendo nos primeiros, é claro). E não é que se justifiquem tais rótulos, mas utilizamo-los pela mera necessidade de classificação para efeitos práticos.

Estudar livros "para crianças" na faculdade só mostra que é possível retirar conclusões importantes dessas leituras. Que os autores, por vezes, levam as crianças mais a sério do que os leitores adultos. Que escrevem com mais qualidade e cuidado para elas. Que é nelas que confiam para mudar o mundo. Que os adultos aprenderão com esses livros e recuperando a perspectiva das crianças.

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Tenho andando tão apertadinha de tempo ultimamente, que até me tenho esquecido de partilhar algumas das minhas reviews do Goodreads acerca de livros que tenho lido para a faculdade. Por isso, pedindo desculpa por me ter desleixado e ter-vos privado de tão honrosas críticas (ou não), ei-las!

 

ELOGIO DA LOUCURA - lido para Cultura Renascentista

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Esta foi uma leitura curta, mas cheia de conteúdo. Erasmo de Roterdão é considerado um dos maiores pensadores do início do Renascimento e, pelo menos a julgar por este livro, uma "pequena" lembrança dedicada ao seu amigo Thomas Moore, era um mestre da palavra e merece todas as honras que lhe são dedicadas nesse aspecto. Em cerca de 150 páginas, num registo informal e provocador, encarna o discurso de uma Loucura que pensa e denuncia os vícios da sua sociedade (séc. XV/XVI), que pelos vistos são bastante semelhantes aos da sociedade actual.
Em suma, impõem-se as questões "quem é realmente louco?, quem pode ser considerado como tal?, a loucura é obrigatoriamente negativa?, não somos todos um bocadinho loucos e não precisamos de um pouco de loucura na nossa vida?, não há piores coisas do que a loucura com que nos devamos preocupar?".

 

 

DEATH OF A SALESMAN - lido para Inglês C1.2

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"USA mentality in a nutshell." Esta peça de tetro é uma verdadeira pérola para quem quer entender melhor a atitude de quem perseguia o famoso "American Dream" em meados do século XX, quais as suas implicações e consequências a nível pessoal e familiar - tudo isto retratado num exemplo prática, neste caso no lar do vendedor Willy Loman, um "salesman" que almejou bastante na vida, sem alcançar nem metade daquilo que desejava alcançar. Nem colocando todas as suas expectativas nos filhos, em particular em Biff, conseguiu que eles fossem muito bem-sucedidos na sua vida adulta e vive um período de "pré-reforma" bastante conturbado.
Adorei ler este livro, pela sua simplicidade em descrever a cultura norte-americana em pouco mais de 100 páginas.

 

 

BEOWULF - lido para Cultura Medieval

 

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I did not find "Beowulf" as interesting or rich as the greek or latin epic stories. However, it is a great narrative for those who, like me, want to know more about the nordic invasions and settlement, that are in the genesis of countries such as the UK, Sweden, Finland or Denmark. Summarily, "Beowulf" reveals a lot of historical, cultural and mythological curiosities.

 

 

WHO GOES THERE? (em ebook) - lido para Ficção Científica e Fantasia de Expressão Inglesa

 

 

One of the first masterpieces that is in the origin of science fiction in the begginning of the 20th century. I understand why, given the fact that it is maybe the first book making reference to aliens and how such forms of life interact with human beings, even if only inside our heads, the limits of humans and the science we create.
I enjoyed this story, even though it is hard for non-native English speakers to know each and every word Campbell uses. It is full of descriptions, but also dialogues, which enriches the narrative and makes readers' experience more pleasant.

 

 

***

[E, sinceramente, não me lembro qual costuma ser o meu critério para escrever umas reviews em inglês e outras em português.]

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Book Depository got it right!

por BeatrizCM, em 14.10.14

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Depois de três semanas à espera, o meu Beowulf chegou há cerca de uma. Chegou com um marcador fofinho, fofinho, fofinho. Veio em correio normal, não registado, mas em excelentes condições, dentro de um envelope almofadado, não se exigindo mais nada por ser um livro de bolso de duzentas páginas, leve, de papel reciclado e capa mole.

Custou-me 7,10€ e não paguei portes. Não fosse a demora, diria que o serviço é cinco estrelas.

 

Para quem não sabe, o Beowulf é um poema épico de origem anglo-saxónica. Irei estudar a obra no âmbito de Cultura Medieval, mas também foi mencionada em Ficção Científica e Fantasia de Expressão Inglesa. Autores como Tolkien e J. R. R. Martin inspiraram-se nele para as suas sagas.

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Últimas leituras - Ésquilo e Sófocles

por BeatrizCM, em 13.04.14

Não tenho dado notícias, porque tenho andado a ler compulsivamente para a faculdade. A minha maior proecupação deste semestre é, como já aqui tenho dito, a cadeira de Cultura Clássica, para a qual tenho de ler para aí 12 livros, ou seja, mais ou menos um por semana, o que para uma leitora ávida como eu não significa grande coisa, não fossem as outras quatro disciplinas que compõem o meu currículo escolar. Mas passando à frente...

Já acabei de estudar o teatro de Ésquilo e de Sófocles, mestres da tragédia grega (e ainda me falta Eurípides, mas desse falo depois). De Ésquilo, li a trilogia que forma a Oresteia (Agamémnon, Coéforas e Euménides) e os Persas. De Sófocles, li o Rei Édipo e a Antígona. Em suma, gostei mais das obras do último tragediógrafo. A Oresteia também não foi má, apenas mais massuda, mas os Persas são assim meio que "meh".

Aconselho mais o Rei Édipo e a Antígona porque nos conseguimos identificar melhor com o enredo, uma vez que os temas continuam actuais, nomeadamente a fragilidade humana e a apredizagem com os erros (mesmo quando é "tarde demais"). No entanto, os textos de Sófocles são menos fáceis de ler do que os de Ésquilo.

 

OresteiaPersas

Rei Édipo

 

Críticas no Goodreads:

Oresteia

Persas

Rei Édipo

Antígona

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Já li! #4

por BeatrizCM, em 22.02.14

 

E eis que acabei de ler a Ilíada... FINALMENTE! Ainda hoje terei de partir para a Odisseia, mas, por agora, aqui vos deixo a minha opinião acerca do primeiro livro da cultura ocidental, transcrito directamente a partir de não sei quantos séculos da tradição oral (vou ter de saber quantos foram ao certo, mas de momento não me recordo)! Deste modo, o seu suposto autor - Homero - tanto poderá ter existido como não, o que sempre foi, continua e continuará a ser um mistério.

 

Nota: li este livro no âmbito da cadeira de Cultura Clássica e tive de o fazer em apenas uma semana, o que não me permitiu apreciá-lo devidamente - ou assim me pareceu. 


Devido às grandes diferenças entre o grego antigo e o português, nota-se que a perda de qualidade no decorrer da tradução deverá ser enorme. Também não sei bem como avaliar esta obra enquanto produto escrito, uma vez que a sua função original era de cariz oral, tendo sido um poema épico declamado de cor e existindo imensas marcas disso ao longo do texto. Por isso, enquanto produto literário, não o apreciei sobremaneira, apesar de saber que enriqueceu o meu conhecimento acerca da mitologia e da cultura europeia. Em geral, não me importei nada de o ler, mas tinha expectativas mais elevadas.

 

Odisseia, here we go!

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A ler #4

por BeatrizCM, em 16.02.14

 

Pois é, ando a ler esta pequena criatura de 500 páginas, 470 delas em verso. Ainda vou a metade e preciso de a terminar até terça-feira de manhã, não sei bem como, mas logo se vê. Pode ser que, entretanto, eu seja acometida de uma força inigualável, como a de Zeus, ou que a deusa Atena tenha piedade da minha pessoa, porventura descendente dos seus amados aqueus, e me conceda muita paciência e pouco sono, para levar a cabo a leitura do que se diz ser o primeiro livro da literatura europeia. Isto é muita frutinha...

De resto, estou a gostar da Ilíada. Só tenho pena de ter de a ler à pressão. Obrigadinha, professora de Cultura Clássica.

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