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Este é mais outro livro que trouxe da biblioteca por, finalmente, perceber que não poderia seguir a minha vida de todos os dias sem o ler. O Rapaz do Pijama Às Riscas é uma história relacionada com o Holocausto e, como estudante de cultura, senti mesmo necessidade de perceber se era tão bom quanto contavam. Agora, só não sei se tenho coragem de ver a respectiva adaptação cinematográfica.

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Esta é a minha opinião acerca do presente livro de John Boyne, que eu acho que merece 5 estrelas:

Este é mais um livro para crianças e jovems, escrito para também conquistar os adultos. Aliás, penso que tenha sido escrito com esse propósito, muito em particular. Nem sei até que ponto é que uma criança perceberá os trocadilhos, as referências e os apartes do narrador/autor. 5 estrelas pela leitura do ponto de vista de um adulto, pela riqueza de emoções e de críticas veladas. 

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Este é o terceiro livro no espaço de um mês que eu perdi enquanto jóia da infância. Só o li aos 20 anos, mas serviu na mesma enquanto leitura marcante, bonita e que me fez voltar a sonhar um bocadinho. Há anos que ouço falar do Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, mas nunca tive muita curiosidade, até que o encontrei na biblioteca da minha zona e cheguei à conclusão de que era uma história que me fazia falta conhecer.

 

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O que acham da crítica que deixei no Goodreads ao Meu Pé de Laranja Lima? Dei-lhe 5 estrelas.

Que história tão triste, mas com uma aura de esperança tão grande, tão plena de sonhos e de carinho!
Adoro a linguagem regional que caracteriza a escrita de José Mauro de Vasconcelos, adoro a caracterização das personagens, as voltas e revoltas que a história leva, a dificuldade inicial em compreender esta narrativa cheia de complexidades da infância e da linguagem e da imaginação da infância.

Depois de ler a biografia do autor, fiquei muito feliz por perceber que, no fim de contas, o Zezé não se saiu nada mal na vida.

Bom livro para as crianças, mas aqui a adulta fica feliz por só agora o ter lido, compreendendo toda a obra.

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Como é que eu fiquei taaaaaantos anos com este livro intocado na estante? Foi preciso uma amiga incitar-me e relembrar-me do valor que o público leitor dá a'O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado. É que eu já tenho este livro há quase 10 anos e nunca o li (antes, porque não gostava de ler outros tipos de português, nomeadamente o do Brasil; mais recentemente, por parvoíce). Ainda por cima, ele é tão curtinho que se lê numa hora ou duas... Felizmente, redimi-me aos 20 anos e esta foi a minha última leitura de 2015.

 

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Vejam lá se concordam com a minha crítica no Goodreads!

 

Tenho este livro há tantos anos, mas parece que só agora o consegui compreender. Apesar de "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" ser uma história para crianças, escrita por Jorge Amado pelo primeiro aniversário do seu filho, a profundidade emocional e a riqueza textual só podem ser entendidas por adultos. Uma criança há-de gostar da história, há-de entender o enredo, mas não será capaz de aproveitar toda a obra e os seus significados (à semelhança d'"O Principezinho", por exemplo).
Como é que uma obra tão curta veicula tantas críticas ao mundo dos adultos, ao mundo humano, através de uma espécie de fábula dos tempos contemporâneos? O que mais lamento na história é o seu final tão triste, o que, por um lado, violenta a imaginação das crianças e o seu desejo por um final feliz e justo; por outro, será que lhes ensinará a viver numa sociedade e numa realidade em que nem sempre tudo se desenvolve ao nosso gosto? Então, só é pena ter ficado a ideia de um suicídio. Assim se justificam as 4 estrelas que atribuí a'"O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá".
At last but not the least, adorei as ilustrações do artista Carybé!

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Últimas leituras - "The Giver"

por BeatrizCM, em 23.10.15

Comecei a ler The Giver com a intenção de experimentar o conforto da leitura nas aplicações do tablet que comprara recentemente. Também já tinha feito o download do quarteto homónimo, ou seja, tanto The Giver quanto os restantes três livros que se agrupam com ele numa colecção, por isso até me sentia curiosa e tentada. O bichinho que o filme me deixara uns meses antes dava cada vez mais sinal da sua presença - será que me iria desiludir?; será que o livro se revelaria ainda melhor do que a adaptação? Só me faltava arranjar uma desculpa para o descobrir. E arranjei.

No Goodreads, dei 4 estrelas ao primeiro livro do quarteto The GiverFiquei com a impressão de que, decididamente, Lois Lowry é uma escritora cheia de talento e visão, o que falta bastante no mercado infanto-juvenil (já chega de vampiros, não é?)

Adorei o início da história, graças às premissas da fundação da sociedade onde vive Jonas, o protagonista: as regras, a ausência de espírito crítico, a ausência de emoções fortes, a precisão de linguagem, a atribuição de tarefas e de empregos, a interacção entre cidadãos, o sistema educativo, a constituição de unidades familiares, o nascimento e a "libertação" dos indivíduos.
Apesar de ser notório que este é um romance de ficção científica/distópico criado essencialmente para um público de leitores mais jovens, é daquelas histórias com que qualquer leitor se conseguirá familiarizar e que poderá apreciar.
Há todo um caminho de descoberta a ser percorrido ao longo das páginas. Rico em diálogos e pensamentos e disposições de Jonas, li The Giver com muita facilidade, rapidez e ansiedade em chegar ao próximo capítulo.
Rico feliz por este livro existir, para que leitores de uma faixa etária mais jovem sejam colocados a pensar sobre o funcionamento das sociedades numa tenra idade. Uma concepção de sociedade que possa parecer simplista para os leitores adultos é, na verdade, um início de reflexão indispensável para as crianças e adolescentes.
Acabei por não atribuir cinco estrelas ao livro, mas sim quatro, pois a qualidade do enredo foi diminuindo a partir do meio da história, piorando gradualmente até ao final. No entanto, considero que seja provável que está opinião seja estritamente minha, não partilhada por outros leitores. Eu é que fiquei surpreendentemente desiludida com o desfecho apressado de The Giver. Pareceu-me que, de repente, a autora teve uma data de entrega do manuscrito para cumprir e que teve de o terminar rapidamente.
Além disso, deixa-me triste que o destino de Jonas em Elsewhere não seja aprofundada.

Já agora, não esperem que o livro seja estritamente parecido ao filme. Há muitas diferenças entre o original e a adaptação subsequente que modificam radicalmente a história.

 

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Últimas leituras - "Alice in Wonderland"

por BeatrizCM, em 17.08.15

Como referi na última publicação sobre intenções de leitura, tenho tentado ler muitos dos livros que tenho "intocados" na estante, além de também fazer parte dos meus objectivos conhecer o maior número possível de clássicos da literatura portuguesa e inglesa (utopicamente, da literatura mundial).

Por isso, seguiu-se por ordem quase natural o livro Alice in Wonderland, ou Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

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Esta foi a crítica que deixei a Alice in Wonderland no Goodreads, com a classificação quantitativa de 4 estrelas: 

Há já muitos anos que queria ler Alice no País das Maravilhas, mas preferi esperar para ter maturidade e capacidade para o fazer pela versão original, em inglês. Feitas as contas, ainda bem que esperei!
Supostamente, este é um conto para crianças, mas os significados mais ímplicitos só se conseguem compreender com algum esforço. Penso que a maior crítica, e a mais imediata e explícita, é à autoridade dos adultos e à sua incansável busca pelos porquês de tudo o que os rodeia, esquecendo-se de procurar os pequenos prazeres da vida, sem pressas, sem se questionarem. Ao longo da sua viagem de sonho, a Alice aprende a relaxar e a aproveitar o que as contingências do acaso lhe vão proporcionando.
Além disso, a linguagem utilizada pareceu-me demasiado exigente para as crianças, mesmo que nativas de inglês. Julgo que também pode ter que ver com o século em que os contos de Alice no País das Maravilhas foram escritos.
A partir da minha perspectiva, de uma jovem adulta, este livro tem uma óptima qualidade e lê-se com prazer. No entanto, ainda tenho dúvidas do que o leva a ser um clássico tão aclamado da literatura inglesa.

 

 

Curiosidade: a edição que tenho é já antiga, de 1974 - e, como a arranjei em segunda mão, tem a capa rasgada e riscada e, no interior, tem até uma dedicatória [Para a Paula da sua amiga de escola. Ana Paula Loureiro] e até um papelinho lá dentro, marcado com "Oeiras, 15 de Setembro 82" que começa assim: "Aqui estou revelando os meus pedidos para o amor da minha vida". Infelizmente, a lista de pedidos resume-se a "1º pedido. Quero que me continues a amar como tens até este momento. 2º pedido."

E pronto, fiquei sem saber quais seriam os restantes pedidos, mas sei que o livro já pertenceu a uma rapariga chamada Paula (possivelmente, a referida apaixonada) e que lhe foi oferecido pela sua amiga Ana Paula.

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Já vos disse o quanto adoro a colecção de livros dos Diários da Princesa? Então, era óbvio que, mal o último livro, o 11º, depois de tantos anos após o 10º, saísse (e fosse pirateado, vá), eu o iria ler... não - era óbvio que o iria DEVORAR! Já saiu no mês passado, mas entretanto fui-me esquecendo de publicar aqui a minha opinião sobre ele.

Pronto, pronto, pronto. Emoções literárias à parte, não existe nenhuma fotografia do livro, como as de sempre, porque li o The Princess Diaries XI - Royal Wedding no tablet (seria incapaz de esperar para aí um mês até que ele chegasse fisicamente a Portugal, além de que, nesta altura do campeonato, quanto menos dinheiro eu gastar em livros, melhor).

 

 

Passemos à minha opinião meeeega apaixonada sobre mais um diário da princesa Mia que me apaixonou tanto ou ainda mais que todos os anteriores!

 

Alguma vez poderíamos pedir melhor colecção "Young Adult" do que os Diários da Princesa (vá, e Harry Potter)? Sou fã há anos, leio todos os livros avidamente e este último Royal Wedding não desapontou. Há algum tempo que não me ria tanto a ler. Meg Cabot pode não ser a próxima condecorada com o Nobel da Literatura, mas as suas referências à cultura pop norte-americana, as observações que tece sobre as personagens e a interacção que as faz estabelecer entre si são insubstituíveis. Adoro-a como criadora de ambientes e de personagens-tipo! Este livro entusiasmou-me verdadeiramente e só parei de o ler praticamente quando não havia mais história, quando cheguei ao fim. E ainda fiquei com vontade de mais!
Neste registo mais adulto, repleto de referências sexuais e assuntos mais maduros, Meg Cabot não deixou de apimentar os preparativos para o Royal Wedding, tal como já havia feito com os bailes de finalistas, com os grandes marcos para a princesa Mia enquanto futura governante de Genóvia, com os namoros da escola secundária, com o início, o fim e o regresso de Michael... Foi delicioso, ao fim de tantos anos e livros, assistir literariamente ao derradeiro passo do meu casal preferido dos livros. É tão fácil querermo-nos reflectir neste amor que já conta com 11 ou 12 anos e que sobreviveu a tanto. Neste caso, a ficção torna-se tão próxima e tão longínqua da realidade, que nem sei como descrever a relação Mia-Michael, que revela tanta amizade e tanta paixão, mas que está presa às páginas dos livros!

Obviamente, adorei os "percalços" de Royal Wedding, mas não os vou contar aqui, por perigo de revelar as grandes surpresas a quem ainda não lhe pegou!

Como se pode verificar, continuo a vibrar com as aventuras da princesa de Genóvia!

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Ultimamente, tenho descoberto que há cada vez mais professores universitários a valorizarem as grandes obras, de grandes autores, que eles escreveram para crianças. No primeiro semestre, fiz um trabalho sobre As Crónicas de Nárnia. Mal o 2º semestre começou, logo na primeira aula de Cultura Visual, a professora mandou-nos (re)ler O Principezinho como trabalho de casa para o Carnaval (e reflectir acerca da relação da história com a matéria que vamos estudar).

Esta evolução nas leituras seleccionadas no meio académico deixa-me bastante feliz. Há novos horizontes a serem explorados, novos pontos de vista. Ao contrário do que o Principezinho pensava no seu tempo, talvez os adultos estejam realmente a combater a sua seriedade. Talvez Saint-Exupéry se orgulhasse por o seu conto, supostamente escrito para alcançar um público juvenil, estar a ser recomendado por professores da faculdade. Talvez C. S. Lewis também se orgulhasse por tantas gerações, de todas as idades, continuarem a pegar nas suas Crónicas, tantas décadas depois.

O que une Lewis e Saint-Exupéry? Terem escrito livros "para adultos", mas esses mesmos adultos continuarem a preferi-los pelos seus livros "para crianças" (não desfazendo nos primeiros, é claro). E não é que se justifiquem tais rótulos, mas utilizamo-los pela mera necessidade de classificação para efeitos práticos.

Estudar livros "para crianças" na faculdade só mostra que é possível retirar conclusões importantes dessas leituras. Que os autores, por vezes, levam as crianças mais a sério do que os leitores adultos. Que escrevem com mais qualidade e cuidado para elas. Que é nelas que confiam para mudar o mundo. Que os adultos aprenderão com esses livros e recuperando a perspectiva das crianças.

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Os primeiros livros que li totalmente em inglês foram os Diários da Princesa. Do 1º ao 10º, passando por aqueles mini-livros do género The Princess Diaries VII and a Half (não publicados em Portugal), saquei-os todos na Internet (sim, eu faço pirataria de livros há meia década) e estreei-me a ler PDFs. Foi a única vez na minha vida em que li resmas de páginas no computador (tudo somado, para cima de 2500, de certeza), mas The Princess Diaries proporcionaram-me um Verão excelente aos 14 anos. 

Por isso, como já referi, é sempre com muito gosto que apanho algum diário, seja ele qual for, em promoção. Aconteceu apanhar o The Princess Diaries VI - Sixsational há uns dias e fiquei derreada de feliz. Li-o desirmanado dos outros, mas quero lá saber - valeu a pena!

 

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Como sempre, esta foi a crítica que deixei no Goodreads ao The Princess Diaries VI:

Li toda a colecção de The Princess Diaries há imensos anos, em formato digital, mas de vez em quando regresso lá. No entanto, depois de adquirir o volume Sixsational numa promoção, nunca pensei emocionar-me tanto ao relê-lo. Não se tratou daquela emoção que me fez chorar baba e ranho, mas sim aquele que me deixou em modo de introspecção, a pensar em como tanta coisa mudou na minha vida (graças ao crescimento, obviamente), enquanto os Diários da Princesa serão eternos e representarão sempre uma parte dela. A princesa Mia continuará sempre na sua vida muito atarefada e dramática de adolescente/jovem adulta, e continuará a fazer indefinida e intemporalmente as delícias de quem a conheceu noutros tempos e a revisita com muito carinho.
Acho que sempre irei reler e relembrar as dúvidas, a ansiedade, os problemas, as loucuras, as futilidades e, por vezes, as imaturidades de Amelia Thermopolis Renaldo com grande agrado, divertimento e, de vez em quando, vontade de lhe dar uma chapada a ver se ela acorda.

Agora a sério: oh Mia, tanto drama só por causa de "Doing It" com o teu namorado super inteligente e - imagino eu - podre de giro? Eh pá, se eu já não soubesse que vocês irão sobreviver a todas as vossas crises, até ficaria super chateada.

 

(Já agora, From the Notebooks of a Middle School Princess será lançado em Maio e Royal Wedding: A Princess Diaries Novel será lançado em Junho!)

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Últimas leituras - As Crónicas de Nárnia

por BeatrizCM, em 21.12.14

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Desde os dez ou onze anos que adoro As Crónicas de Nárnia. Na altura, li apenas metade dos livros, um aqui e outro ali, sem ordem cronológica ou qualquer outra ordem. No entanto, no mês passado, li-os todos seguidinhos, no espaço de uma semana e meia. Surgiu a oportunidade de fazer um trabalho para a cadeira de Ficção Científica e Fantasia de Expressão Inglesa na faculdade e decidi explorar o mundo C. S. Lewisiano, não só as Crónicas, como também alguns outros livros de não-ficção do autor, que me ajudarão a fazer o trabalho. Ah, e outros guias, como o Companion to Narnia, mas deixarei essas aventuras para outro momento.

Agora, venho-vos apresentar as minhas críticas a todos os livros d'As Crónicas de Nárnia no Goodreads.

 

O Sobrinho do Mágico

É impossível alguém não gostar deste primeiro livro das Crónicas de Nárnia, qualquer que seja a sua idade. É certo que quase todo o enredo faz referência a passagens da Bíblia, em particular ao Génesis, mas compreende-se que, enquanto escritor, C. S. Lewis não se pudesse abstrair completamente da sua fé. Seja como for, "O Sobrinho do Mágico" não deixa de ser uma narrativa agradável, mesmo que não se conheçam as Escrituras (como era o meu caso na primeira vez em que o li, já lá vão mais de seis anos) ou que não se seja cristão ou sequer religioso. Com este livro, são passados valores tão importantes quanto a amizade, a lealdade e a preserverança aos mais pequenos, enquanto os adultos podem reviver a inocência da infância, tão bem retratada pela escrita despretensiosa, mas bastante rica, de Lewis.
Além disso, quem não gostaria de saber como Nárnia nasceu, como começaram as viagens de humanos entre esse mundo e o nosso e, já agora, como é que os irmãos Pevensie conseguiram lá chegar no volume seguinte, "O Leão, o Feiticeiro e o Guarda-Roupa"?

 

O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa

Não gosto tanto deste segundo volume das Crónicas de Nárnia como gosto do primeiro, mas "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa" não deixa de ter o seu encanto.
Anos depois de ter sido apenas Digory, "O Sobrinho do Mágico", voltamos a ver o (agora) professor Kirke, na sua grande casa de família, no campo, onde acolhe os 4 irmãos Pevensie. Para mim, este tipo de continuidade numa saga e todos os detalhes que estabelecem uma relação entre os diversos volumes é um dos melhores aspectos a ressalvar.
Como sempre, Lewis faz, muito subtilmente, a apologia de valores como a amizade, lealdade, justiça e - claro - da importância de um pouco de magia nas nossas vidas.

 

O Cavalo e o Seu Rapaz

Não estava nada à espera de gostar tanto deste terceiro volume das Crónicas de Nárnia. Conta-nos a história de um rapaz chamado Xassta, do seu amigo cavalo Bri, da nobre Arávis e da égua Huin. O que antes me deixava mais reticente era pensar que não tinham uma relação tão directa com Nárnia quanto as restantes personagens da saga. No entanto, descobri que estava enganada, pois tanto os 4 protagonistas de "O Cavalo e o Seu Rapaz" quanto as descrições das paisagens do Sul (com inspiração árabe, imagino) contribuíram para enriquecer a ideia que já tinha do horizonte de Nárnia.

 

O Príncipe Caspian

Adoro as Crónicas de Nárnia, mas penso que este seja um dos capítulos de que menos gosto. Apesar de se chamar "O Príncipe Caspian", este pouco protagonismo tem, em comparação aos reis Peter, Susan, Edmund e Lucy, excepto no início da história. No entanto, mesmo que, no final, valha 3.5 estrelas em 5, não deixa de ter o seu encanto e riqueza em termos de ensinamentos para a vida, ou não tivesse sido escrito por C. S. Lewis.

 

A Viagem do Caminheiro da Alvorada

Não sei até que ponto é que esta não passa somente de uma opinião pessoal, mas entendo "A Viagem do Caminheiro da Alvorada" como uma alegoria para uma viagem espiritual.Caspian procura consolo e redenção através da busca pelos companheiros desaparecidos do seu pai (todos eles, por sua vez, fizeram a mesma viagem, perecendo ou sobrevivendo consoante os seus valores morais); Eustace aprende a ser altruísta e a dar valor à amizade; Edmund e Lucy vivem a sua última aventura de criança, aprendendo e preparando-se para a vida adulta através dos seus erros e ao observarem os dos adultos; Ripitchip procura glória e calma felicidade.
Talvez um dos livros das Crónicas de Nárnia em que a metáfora é melhor conseguida.

 

O Trono de Prata

História um pouco desapontante para quem procura mais aventuras alegóricas e moralmente edificantes. No entanto, não deixa de ter um bom enredo e de ser um bom conto.

 

A Última Batalha

Nunca gostei tão pouco de um final, em particular depois de uma saga tão rica e entusiasmante. Segundo um dos grandes amigos de Lewis, Tolkien, não deveríamos procurar um final feliz (eucatástrofe) nas histórias de fantasia? Quer dizer, "A Última Batalha" tem um final feliz, mas imensamente triste e pouco satisfatório para o leitor, ao mesmo tempo. Considero-o um final sem qualquer réstia de esperança e fé - infelizmente, apenas possíveis na morte ou num mundo paralelo.

 

E que melhor saga para ser lida durante as férias de Natal? Aproveitem e embarquem nas viagens imaginadas por C. S. Lewis! Não perquem tempo: um segundo na Terra pode corresponder a mil anos em Nárnia!

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Últimas leituras - "Malala"

por BeatrizCM, em 02.12.14

Aaaaah, voltei!

Tenho lido imenso e escrito muito pouco, daí a minha ausência. Perdoem-me, colegas. A leitura a muito obriga e nós, como é sabido, queremos lá saber, fazemos o que a vontade nos pede. E eu fiz o que me deu na real gana! No stop reading November! Consequentemente... agora tenho imensas opiniões para partilhar.

 

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Um dos livros que comecei a ler em Outubro e acabei em Novembro foi esta autobiografia, Malala - the girl who stood up for education and was shot by the Taliban, que eu já tinha comprado em Inglaterra no Verão, por apenas 3£.

Decidi-me, finalmente, a pegar-lhe a seguir à Malala ter sido a grande contemplada com o Prémio Nobel da Paz de 2014. Senti que, se já tinha o livro, só tinha era de o ler.

Por isso, pouco a pouco (porque ainda foi uma leitura relativamente grande para quem tinha imensos afazeres paralelos).

Esta é a minha review no Goodreads:

Decidi saber mais acerca da Malala depois de ganhar o Prémio Nobel da Paz há uns meses. Já tinha este livro e não encontrei melhor oportunidade e desculpa para o ler do que essa.
Adorei ler este livro, pela sua dimensão histórica, política e social - e por mais que não seja por ter sido escrito por uma rapariga tão particular como a Malala.
O que poderia ter-se revelado um relato desinteressante acerca da vida e dos sonhos de uma adolescente em breve demonstrou tratar-se muito mais do que isso. Ainda não me inteirei de todo o fenómeno "Malala" e de todos os seus efeitos a nível mundial, mas este livro, escrito pela própria em parceria com a jornalista Christina Lamb, dá-nos uma perspectiva bastante completa acerca do que esta menina paquistanesa, inicialmente anónima, já tentou fazer pelo direito à educação para todas as crianças, em especial para as raparigas. Sendo quase como que uma ode à educação como a melhor arma que alguém pode desejar, este livro fez-me pensar em como, na maior parte do Ocidente, tomamos a escola como garantida, não lhe prestando o devido respeito. Muitos leitores têm dito o mesmo, mas é de frisar que são relatos como os de Malala que nos fazem abrir os olhos acerca de outras realidades alheias à nossa, em que todas as condições para sermos bem-sucedidos, felizes e saudáveis nos são mais ou menos asseguradas.
Com apenas 17 anos, a Malala já viveu no meio de diversas guerras, armadas e não só. A sua luta pela educação resultou numa tentativa de homicídio pela parte dos talibãs, a si e a algumas das suas colegas, e não foi por causa disso que tal luta foi interrompida. Com apenas 17 anos, a Malala tem tudo para continuar a ser um ícone internacional no campo da luta pelos direitos humanos, uma porta-voz cheia de garra para aqueles a quem não é permitido falar.
A escrita deste livro é relativamente simples, notando-se até alguma ingenuidade e jovialidade próprias da idade da Malala quando o escreveu. Para quem espera meros ensaios acerca da educação, que se desencante dessa ideia: todo o relato é um ensaio em si, é uma história pessoal que se tornou uma história universal. O mais complicado de entender poderão ser, porventura, algumas referências culturais menos bem explicadas.

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